Gráfico do indicador MVRV Bitcoin mostrando ciclos de lucro e prejuízo do mercado

MVRV Bitcoin — o que é, como calcular e como interpretar

Todo mundo que começa a estudar Bitcoin a sério esbarra em uma sigla estranha em algum gráfico: MVRV. E na maioria das vezes ninguém explica direito. Só joga o número lá, como se todo mundo já soubesse o que aquilo significa.

Não sabe. Tudo bem.

Aqui na Bity a gente lida com isso o tempo todo! O cliente pergunta “isso aqui é sinal de compra?”, olhando para um gráfico que nem sabe de onde veio. Então por isso vamos destrinchar o MVRV do zero para você.

Um aviso rápido antes de continuar: nada nesse texto é recomendação de compra ou venda. É explicação de como o indicador funciona e de onde ele vem. O que você faz com essa informação é decisão sua, e de preferência, uma decisão bem informada.

 

O que é o MVRV Bitcoin, sem enrolação

MVRV é sigla para Market Value to Realized Value. Em português: Valor de Mercado sobre Valor Realizado.

A ideia é comparar duas formas diferentes de olhar para o “valor” do Bitcoin.

A primeira é óbvia: preço atual multiplicado pela quantidade de moedas em circulação. Isso é o Valor de Mercado, o número que aparece em qualquer app de cotação, muitas vezes sob o nome de Market Cap.

A segunda é onde fica interessante. Em vez de aplicar o preço de hoje para todas as moedas, o valor realizado olha para cada Bitcoin individualmente e pergunta: “quanto valia esse Bitcoin específico na última vez que ele foi movimentado na blockchain?”

Um Bitcoin que ficou parado numa carteira desde 2015, quando custava por volta de US$ 300, entra na conta com esse valor de 2015, mesmo que hoje o preço seja outro completamente diferente. É como se cada moeda carregasse uma etiqueta de preço presa nela desde a última vez que mudou de mãos.

Esse conceito foi criado pela Coin Metrics, empresa de análise on-chain. E se popularizou porque oferece algo que o preço sozinho não mostra: uma média de “custo” de toda a base de detentores.

Pensa assim, com um exemplo bem simplificado. Imagina três Bitcoins:

  • Um foi movimentado pela última vez a US$ 5.000
  • Outro a US$ 20.000
  • Outro a US$ 60.000

Se o preço atual for US$ 40.000, o valor de mercado desses três Bitcoins juntos é US$ 120.000 (3 × 40.000). Já o valor realizado seria a soma do que cada um “custou” na última movimentação: 5.000 + 20.000 + 60.000 = US$ 85.000.

Dividindo um pelo outro (120.000 ÷ 85.000) chegamos em um MVRV de aproximadamente 1,41. Ou seja: em média, essas três moedas estão com 41% de lucro em relação ao preço da última movimentação. Na blockchain real, esse cálculo é feito com todas as moedas em circulação, que considera milhões de transações, mas a lógica é exatamente igual.

 

A conta por trás do número

A fórmula é simples. Só uma divisão: MVRV = Valor de Mercado ÷ Valor Realizado

Exemplo hipotético, para fixar. Valor de mercado de US$ 1 trilhão, valor realizado de US$ 500 bilhões. MVRV = 2.

O que isso significa na prática? Que, em média, quem segura Bitcoin está sentado sobre 100% de lucro em relação ao preço da última movimentação de cada moeda.

Repare que o MVRV não olha para o preço isolado. Ele olha para a relação entre o que o mercado vale hoje e o que custou, na média ponderada, para construir essa base de detentores. É indireto. Mas é justamente por ser indireto que funciona como termômetro de sentimento agregado: lucro ou prejuízo, no papel, de quem possui o token.

 

Lendo o MVRV: acima de 1, abaixo de 1, e a zona de perigo

Aqui está o ponto que resolve 90% da confusão de quem tá começando.

MVRV acima de 1 → o mercado, em média, está no lucro não realizado. É o estado mais comum na história do Bitcoin, já que o preço tende a subir no longo prazo.

MVRV abaixo de 1 → aqui a coisa muda de figura. O valor de mercado ficou menor que o valor realizado. Na prática, a média dos detentores está no prejuízo, resultado de que pagou mais caro do que o preço atual.

Historicamente, esses momentos de MVRV abaixo de 1 coincidem com fases de grande pessimismo. O tal “fundo do poço” psicológico que todo mundo comenta depois que já passou. Apesar do pessimismo, é nesta faixa que se encontram as melhores oportunidades de compra a um baixo preço.

E tem o outro extremo: quando o MVRV sobe bem acima da média histórica, indica que uma fatia grande do mercado tá com lucro expressivo acumulado. Isso, historicamente, aumenta a pressão de realização de lucro, ou seja, mais gente vendendo. O que eleva o risco de correção.

Vale repetir isso em letras garrafais: MVRV NÃO PREVÊ O FUTURO. Ele descreve uma condição presente. Contexto, não bola de cristal.

 

MVRV Z-Score — a versão calibrada

Se você continuar pesquisando, vai topar com uma variação chamada MVRV Z-Score. Ela existe porque o MVRV puro varia bastante de escala entre um ciclo e outro, o que dificulta algumas comparações como 2017 com 2021, por exemplo.

O Z-Score resolve isso aplicando um ajuste estatístico (desvio padrão) sobre a diferença entre valor de mercado e valor realizado:

MVRV Z-Score = (Valor de Mercado − Valor Realizado) ÷ Desvio Padrão do Valor de Mercado

Não precisa decorar a fórmula. O que você precisa entender: o Z-Score “achata” a escala, o que ajuda a comparar diferentes ciclos do Bitcoin de forma mais justa, sem depender do tamanho absoluto da capitalização de cada época.

Pense assim: MVRV comum é o termômetro simples. Z-Score é o mesmo termômetro, só que calibrado.

 

MVRV não anda sozinho: como ele se encaixa com outros indicadores

Uma dúvida que aparece bastante: “então o MVRV é o único indicador on-chain que eu preciso olhar?” Não é. Ele é um dos mais citados, mas existem outros que costumam ser usados junto, e entender como eles se complementam ajuda a não depender de um número só.

O SOPR (Spent Output Profit Ratio), por exemplo, mede algo parecido, mas olhando só para as moedas que estão sendo movimentadas naquele momento, não para o estoque total. É como comparar “a média histórica de todo mundo” (MVRV) com “quem está vendendo agora, tá vendendo no lucro ou no prejuízo?” (SOPR).

Já as HODL Waves mostram há quanto tempo as moedas em circulação ficaram paradas sem se mexer. Útil para entender se o mercado está dominado por quem comprou recentemente (mais propensa a vender rápido) ou por detentores antigos (que historicamente seguram por mais tempo, os famosos “HODLers“).

Além do fluxo de exchanges: quantidade de Bitcoin entrando ou saindo de corretoras. Moeda saindo de exchange costuma ser lida como sinal de acumulação de longo prazo; moeda entrando, como preparação para venda.

Nenhum desses substitui o MVRV, e o MVRV não substitui nenhum deles. Eles contam pedaços diferentes da mesma história.

 

Como ler o gráfico de MVRV na prática (passo a passo)

Bom, chega de teoria. Se você abrir um gráfico de MVRV pela primeira vez, aqui vai um roteiro simples de leitura:

  1. Olhe o eixo vertical primeiro. A maioria das plataformas marca visualmente as faixas, geralmente com cores, do vermelho (zona de possível “barato”) ao verde ou vermelho de novo (zona de possível “caro”), dependendo da convenção da ferramenta.
  2. Compare o valor atual com a média histórica do próprio gráfico, não com um número fixo que alguém te falou. O que é “alto” hoje pode não ser o mesmo “alto” de cinco anos atrás.
  3. Veja a inclinação, não só o ponto. Um MVRV subindo rápido em poucas semanas conta uma história diferente de um MVRV estável há meses.
  4. Sobreponha com o gráfico de preço. A maioria das ferramentas permite ver os dois juntos. Isso ajuda a enxergar visualmente os momentos em que MVRV e preço se moveram de forma parecida no passado.
  5. Anote o que você observou, sem agir ainda. Antes de qualquer decisão, vale acompanhar por um tempo para desenvolver intuição própria sobre como aquele gráfico específico se comporta.

Não tem mistério nenhum aqui. É treino de olhar o gráfico com calma, repetidas vezes, até o padrão começar a fazer sentido sozinho.

 

Erros comuns de quem tá começando a olhar MVRV

Vale nomear alguns tropeços clássicos e cometidos frequentemente por diversos tipos de investidores, dos iniciantes aos mais experientes:

  • Tratar um MVRV baixo como garantia de fundo de mercado. Não é. O mercado pode ficar “barato” por meses.
  • Ignorar o contexto do ciclo e comparar direto com um ciclo anterior sem ajuste (é pra isso que existe o Z-Score).
  • Confundir MVRV com preço. São coisas relacionadas, mas não são a mesma leitura.
  • Tomar decisão de compra ou venda baseada só nesse único número, sem olhar mais nada.
  • Desconsiderar taxas, impostos e seu próprio horizonte de investimento na hora de agir sobre qualquer leitura on-chain.

Nenhum desses erros invalida o indicador. Só mostra que ele exige contexto, igual a qualquer outra ferramenta de análise.

 

O que os ciclos anteriores do Bitcoin mostram

Uma das razões pelas quais o MVRV ganhou tanta tração é o padrão que se repete ciclo após ciclo.

Em fases de euforia, com preço subindo forte, o MVRV costuma bater valores elevados, reflexo do lucro acumulado na base de detentores.

Em fases de bear market prolongado, o indicador tende a recuar para perto ou abaixo de 1, reflexo do pessimismo e do prejuízo não realizado.

No meio disso tudo, o MVRV oscila numa faixa intermediária, que costuma acompanhar fases de acumulação ou mercado andando de lado.

Só que cada ciclo tem suas próprias particularidades. Muda o número de participantes, muda a maturidade da rede, mudam os fatores macro em jogo. Usar o MVRV isolado, sem esse pano de fundo, é o erro clássico de quem tá começando.

 

Onde o MVRV falha

Nenhum indicador é bala de prata, e seria má fé vender o MVRV como se fosse.

Moedas perdidas ou paradas há anos continuam entrando no cálculo do valor realizado, mesmo sem nunca mais se moverem. Isso distorce um pouco a leitura.

O indicador também é retrospectivo por natureza, descrevendo uma foto do presente, sem incorporar o que ainda vai acontecer, como uma decisão regulatória ou um choque macroeconômico.

E diferentes plataformas de dados podem calcular o valor realizado de jeitos ligeiramente distintos. Pequenas divergências entre uma fonte e outra é normal.

Reconhecer essas falhas não invalida o indicador. Só evita que você confie demais nele.

 

O que fazer agora

Se você está começando a explorar indicadores on-chain, vá com calma. Um conceito de cada vez. Observe como ele se comportou no passado antes de tirar qualquer conclusão prática.

O MVRV Bitcoin, resumindo tudo num parágrafo: compara o preço atual da rede com o custo médio de toda a base de detentores, baseado em quando cada moeda foi movimentada pela última vez. É uma das ferramentas mais usadas para entender ciclos de lucro e prejuízo, mas é uma peça do quebra-cabeça, não o quebra-cabeça inteiro.

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Perguntas Frequentes sobre o MVRV do Bitcoin

 

O que é MVRV no Bitcoin?

MVRV é a sigla pra Market Value to Realized Value. É um indicador on-chain que divide o valor de mercado do Bitcoin pelo valor realizado. O “preço de custo” médio de cada moeda, calculado no momento em que ela foi movimentada pela última vez. O resultado mostra se, em média, quem segura Bitcoin está no lucro ou no prejuízo.

 

MVRV alto significa que é hora de vender Bitcoin?

Não necessariamente. Um MVRV alto mostra que boa parte dos detentores está com lucro grande no papel, e isso historicamente aumenta a pressão de venda. Mas não é sinal automático. Sempre vale cruzar com outros dados antes de tomar uma decisão.

 

Qual a diferença entre MVRV e MVRV Z-Score?

O MVRV puro é a divisão direta entre valor de mercado e valor realizado. O Z-Score pega essa mesma diferença e aplica um ajuste estatístico (desvio padrão) para deixar a escala mais comparável entre ciclos diferentes do Bitcoin. Pense nele como o MVRV com ajuste fino.

 

Onde acompanho o MVRV do Bitcoin?

Plataformas especializadas em dados on-chain publicam o gráfico de MVRV e MVRV Z-Score atualizado, normalmente lado a lado com o histórico de preço do Bitcoin. Vale acompanhar por algumas semanas antes de tirar qualquer conclusão prática.

 

O MVRV é confiável sozinho para decidir investimentos?

Não. O MVRV funciona melhor como uma peça do quebra-cabeça, não como sinal isolado. Combine com fluxo de exchanges, seu horizonte de investimento e gestão de risco antes de tomar qualquer decisão.